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July 9, 2007

O tempo, a viagem e o destino


Photo by Omar Eduardo

A possibilidade de que um dia possamos viajar no tempo sempre traz juntas uma série de conseqüências interessantes. E talvez as mais interessantes mesmo são aquelas que, no fim das contas, dizem respeito ao momento em que vivemos, o presente.

Vamos então supor que sim, um dia consigamos viajar no tempo, ou melhor, voltar no tempo. Não precisa nem ser uma viagem de um indivíduo para o passado, pode ser simplesmente o fato de poder intereferir nele. Quais seriam as conseqüências disso?

Certamente a opção mais desejada seria a de, mudando algo no passado, colocar o presente em uma situação melhor. Corrigir erros, mudar rumos, mexer nos detalhes que no fim desencadeiam no fim desejado. Seria de se esperar, portanto, que se um dia for possível alterar o passado, esse seria o objetivo na mente do “manipulador do tempo”.

As primeiras mudanças seriam as mais drásticas. Tentariam alterar aqueles acontecimentos que terminaram por desencadear grandes catástrofes. Matariam governantes, impediriam desenvolvimentos tecnológicos, fariam, de alguma forma, algumas pessoas mudarem de idéia sem saberem.

Os manipuladores veriam, então, que a história é mais cheia de truques do que imaginavam. Pequenos detalhes tinham o poder de alterar o curso da história de forma muito mais significativa do que o previsto. Pequenos encontros casuais, esbarrões no meio da rua, cachorros atropelados na estrada, tudo tinha conseqüências importantes ao longo do tempo.

Os detalhes então passariam a merecer atenção, e seriam objeto de manipulação. O dia-a-dia de todas as pessoas teria relevância, e nada mais seria feito em vão. Sem saber, o passado se transformaria em uma mera manipulação do presente para atingir seus objetivos.

Pois bem, se no futuro pudermos manipular o passado, esse passado somos nós hoje. O que não deixaria de dar uma resposta para a pergunta “Qual o sentido da vida?” e “Existe um destino?”. Se um dia pudermos manipular o passado, estamos aqui para servir o futuro, e tudo tem um sentido: atender aos desejos de nossos longínquos descendentes.

Comments 1 Comment | Categories: Ciência, Filosóficos | Autor: inaciog




May 21, 2007

Sandra

Curiosity (by shaefred)
Photo by shaefred

Sandra gostava de fazer perguntas:

- Se eu viajasse de volta no tempo, em uma data em que eu já teria nascido, seríamos duas eus no mundo. Mas aí se eu voltasse novamente no tempo até o momento em que haviam dois eus, seríamos três. Ou seja, eu poderia criar um exército de eus.

Incitava muito a sua curiosidade o tempo.

- O tempo vai só para a frente ou pode parar? Se eu o pudesse parar, como ia poder apertar o botão para voltar a andar?

Ao andar pela rua, olhava para o chão e perguntava:

- Se eu cavar um túnel bem fundo eu chego à China. Mas quando eu chegar lá eu vou estar cavando para cima. Isso quer dizer que, no centro da Terra, eu de repente vou parar de cavar para baixo e vou passar a cavar para cima. Isso significa que bem no meio eu vou estar cavando para cima e para baixo ao mesmo tempo?

O céu a deixava mais atônita ainda:

- Se o Universo for infinito mesmo, não haveriam infinitas estrelas? E assim, por mais longínquas que elas fossem, não acabariam por encher o céu?

Um dia Sandra conheceu João. João era um menino que sabia todas as respostas:

- João, por que a água é transparente e as nuvens brancas?
- Porque na subida a água pega um pouquinho de amido

- João, por que a Terra gira?
- Porque senão não ia andar pelo espaço-tempo

Passaram horas, dias, semanas assim: Sandra perguntando e João respondendo. Até que chegou o dia em que Sandra não tinha mais perguntas. Ficaram um olhando para o outro.

João não perguntou o que havia, pois já sabia a resposta. Sandra não perguntou porque ele não falava nada, pois já havia ouvido a resposta. Após alguns minutos olhando um para o outro, foram, resignados, cada um para seu lado. Sandra com uma pergunta na mente e João sem respostas.

Comments 1 Comment | Categories: Historinhas | Autor: inaciog




November 25, 2006

Uma conversa com Juán, de nosso mundo paralelo

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Photo by Ange

Poucos sabem, mas temos um mundo paralelo.

A diferença é que, diferentemente deste em que vivemos, os habitantes do mundo paralelo sabem todos da nossa existência. Não só isso, eles podem interferir, brincar e mexer com o nosso quando quizerem. Sim, lá eles também têm casas, cidades, até países, é tudo muito parecido. Mas um pouco diferente.

O tempo todo acontecem coisas que não são muito bem explicadas no nosso mundo. Objetos simplesmente somem, pessoas se encontram de forma inexplicável, outras se desencontram contra todas as probabilidades. E acreditamos que tudo isso se deve ao acaso. Outros, um pouco mais espertos, chamam isso de destino. Digo mais espertos porque, de certa forma, eles sabem que existe algo por trás das coisas que vemos acontecer. O erro deles, porém, é dar um sentido místico e com algum propósito para tudo.

Na verdade, é tudo uma grande brincadeira. Somos a principal fonte de diversão dos habitantes do nosso mundo paralelo.

Tive o outro dia a oportunidade de conversar com um habitante desse mundo. Não vou explicar aqui como isso ocorreu, e mesmo que tentasse, algo inesperado ocorreria com o servidor deste site. Mas fui autorizado a reproduzir aqui boa parte da conversa.

O sujeito, que será aqui chamado de Juán, tem 27 anos, é designer gráfico, e nasceu na região que em nosso mundo é chamada de Sibéria. Segue abaixo a conversa:

Eu - Mas me diga, Juán, como funciona essa história de mundo paralelo?

Juán - Olha, não tem muito o que explicar. É assim desde que nasci, desde que temos registros históricos. Se estamos de olhos abertos, estamos no nosso mundo. Quando fechamos, estamos no seu. Assim de simples.

Eu - Qualquer pessoa no seu mundo pode fazer isso?

Juán - Sim. Desde que se nasce. Faz parte da nossa vida, assim como o dia e a noite.

Eu - E vocês conseguem interagir com o nosso mundo?

Juán - Naturalmente. A diferença é que só conseguimos mudar algo quando vocês fecham seus olhos, ou não vêem onde estamos. E é por isso que vocês não sabem que existimos. É como vocês falam: se não há ninguém na floresta você pode ter certeza de que uma árvore caiu por lá? Bem, se nós estivermos por lá, sim.

Eu - Fascinante. Quer dizer que, na verdade, vocês formam como que uma dualidade da nossa consciência?

Juán - Isso, é bem isso. Nossos sentidos se complementam, mas são isolados um do outro. Nossa visão de seu mundo habita onde falta a consciência de vocês.

Eu - E o que vocês costumam fazer quando fecham os olhos e visitam nosso mundo?

Juán - Depende da pessoa. As crianças em geral gostam de travessuras. Tiram coisas do lugar, mudam placas de caminhos, colocam bananas e obstáculos na frente de transeuntes. Essas coisas. Mas geralmente os pais delas descobrem e voltam tudo a como estava antes. Dão uma lição de moral, de que não se deve fazer essas coisas, etc, mas no fundo morrem de rir vendo como as pessoas de seu mundo ficam confusas e não entendem como isso aconteceu, jurando que “a placa dizia para virar à direita”. Já os mais adultos dividem-se entre os benevolentes, os malvados e os experimentadores.

Eu - Como assim?

Juán - Bom, os benevolentes são pessoas que viram no fato de podermos interferir em seu mundo uma oportunidade de fazer, ao menos no mundo de vocês, a vida melhor. Fazem boas ações, como algum barulho que assusta uma pessoa e evita um acidente, calculam diversas “coincidências” que fazem duas pessoas se conhecerem, esse tipo de coisa. Os malvados, por outro lado, gostam de fazer o contrário. Derrubam vasos chineses quando uma criança está sozinha na sala, entortam quadros na casa de pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo, até provocam acidentes. É complicado, nós tentamos evitar isso, mas é difícil controlar as pessoas. Vocês sabem disso.

Eu - E os experimentadores?

Juán - Os experimentadores são pessoas que viram nessa capacidade de observar e interferir no mundo de vocês uma oportunidade única de entender as coisas. São pessoas muito interessadas, curiosas e inteligentes. Acreditam que podem fazer grandes mudanças na história de vocês através de pequenos detalhes. E ficam observando, passo a passo, as conseqüências do que fizeram. Eles querem entender melhor o processo de “uma coisa leva a outra”, aquilo que vocês chamam de caos. Querem ver se, de fato, o bater das asas de uma borboleta pode gerar um furação do outro lado do planeta.

Eu - E chegaram a alguma conclusão?

Juán - Essa história da borboleta não deu em nada. Essa idéia foi tão divulgada que um monte de gente que não tem nada a ver com a história resolveu fazer seu próprio experimento ao mesmo tempo. As interferências foram tantas no mesmo sentido que ficou impossível saber o que gerou o quê. Acabaram desistindo.

Eu - E o que os experimentadores estão fazendo agora então?

Juán - Ultimamente eles estão mexendo mais com vocês, de formas mais sutis. Estudando o que pode ser a natureza humana.

Eu - Por exemplo?

Juán - Pequenas coisas. Detalhes. Querem entender como a vida das pessoas pode mudar através dos detalhes. Uma estrela cadente quando se olha para o céu, um bilhete anônimo deixado na calçada, um ventinho gelado quando se fecha os olhos.

Eu - Alguma conclusão?

Juán - Parece que sim. Tudo indica que esses detalhes mudam a nossa história muito mais do que se pode imaginar. Porque eles são pequenos momentos de fuga da consciência normal e cotidiana, que nos transportam por um breve instante para dentro de nós mesmos, sem aviso. E é justamente nesses momentos em que mudamos, nem que seja um pouco, nossa essência. E isso muda tudo.

Comments 19 Comments | Categories: Historinhas | Autor: inaciog




November 22, 2006

Pela ciência open-source

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Qual é a real beleza da foto acima (roubada de optik)? Certamente não são as cores isoladamente, mas sim essa mistura rica e caótica de cores, que dá um efeito tão agradável e provocador da imaginação. Pessoas diferentes vêm formas diferentes. Tudo isso devido à mistura e a interação entre as cores.

O mesmo ocorre com a ciência. Diferentes pensamentos, nas mais distintas tonalidades, são criados, se desenvolvem e interagem entre si, na tentativa de montar um quadro melhor do mundo e unverso em que vivemos. Mas para que isso ocorra de verdade, a interação, replicação e mistura devem estar presentes, de forma que o estudo de uma pessoa interaja e influa outros que vierem.

E nesse quesito a internet fez uma verdadeira revolução. Hoje você tem acesso (infelizmente não todos) a décadas de publicação científica à distância de uma busca. Um trabalho feito na Tailândia pode servir de base a uma tese no Brasil, um experimento feito nos Estados Unidos pode ser comparado a um semelhante feito na Russia sem nenhuma dificuldade. A redundância nos trabalhos feitos diminuiu, pois se alguém já fez ou está fazendo o que se pretende, pode-se mudar o enfoque e enriquecer a ciência.

O problema das publicações científicas, no entanto, é que em geral elas não dão dados suficientes para a replicação do que foi feito, e muitas vezes isso nem é por culpa dos autores, mas devido à falta de espaço. Outros, no entanto, se aproveitam desse fato para divulgarem resultados “adaptados” à realidade desejada. E o argumento geral é que não haveria espaço para divulgar os enormes pormenores da pesquisa.

Pois bem, anos passaram, a internet é uma realidade há um bom tempo. Hoje em dia, ao entrar na página de um pesquisador, você em geral tem acesso a todos os artigos escritos por ele. Poucos, no entanto, disponibilizam as ferramentas e dados para que os experimentos sejam replicados ou alterados.

Esse deve ser o próximo passo. A ciência open-source. Não apenas os artigos resumidos devem ser disponibilizados, mas sim todos os dados necessários para a verificação do trabalho, e, principalmente, a utilização rápida e segura desse trabalho como base. Espaço não falta mais. Os artigos deveriam ter sempre o endereço na internet onde o leitor poderia obter todas as informações, dados, programas, etc, para utilizá-lo como base.

Acredito fortemente que esse é o caminho certo. A última coisa que a ciência pode fazer é guardar segredos. E sua riqueza aumenta conforme a comunicação, a interação e a incorporação aumentarem também.

Comments 1 Comment | Categories: Acadêmicos, Ciência, Uncategorized | Autor: inaciog




October 2, 2006

Campanha estúpida da CET

Faixa de pedestres

A campanha de “conscientização no trânsito” sendo veiculada na televisão pela CET é, provavelmente, a mais equivocada e burra que eu já vi em campanhas do tipo. O slogan da campanha é “Respeite o próximo, ele pode ser você”. Dois dos  quatro vídeos podem ser vistos nos links abaixo:

Pedestre

Motoqueiro

As propagandas mostram motoristas e motociclistas agindo de forma irresponsável, e quase atropelando uma pessoa que, quando páram para ver direito, são elas mesmas. E em seguida, o slogan é enunciado: Respeite o próximo, ele pode ser você.

Ou seja, a mensagem passada é clara: a única pessoa que importa é você mesmo. O que levaria você a se comportar bem no trânsito é que você pode ser o acidentado.

Mas qual é o real motivo para o comportamento irresponsável no trânsito? É exatamente esse raciocínio egoísta de isolamento e de total falta de senso comunitário que é carimbado por essa campanha. É a atitude de isolamento dos outros e do ambiente ao redor exaltado também pelas propagandas de carros e dos insulfilmes. A mesma dos condomínios de luxo criados de forma a isolar ao máximo as pessoas do resto das pessoas e cidades. Enfim, a cultura que diz que a pessoa e, no máximo, sua família, é sagrada, e o resto dos ambientes e pessoas um incômodo desagradável, do qual se busca cada vez mais o isolamento.

Por que não mostrar como seria o trânsito se todos fossem mais solidários no trânsito? Um carro parando para um pedestre atravessar na faixa onde não há um semáforo de pedestres, sendo o gesto retribuído por um sorriso? Um carro dando preferência a um outro num cruzamento que, mais tarde mostraria tratar-se de uma mulher indo ao hospital dar a luz a um bebê?

É muito triste ver que as pessoas que são as responsáveis pelo trânsito da cidade têm essa visão míope, equivocada
e estúpida da cidadania no trânsito.

Comments 3 Comments | Categories: Cidade, Educação, Política | Autor: inaciog




September 26, 2006

Uma verdadeira revolução

Câmara aprova proibição de outdoors em SP a partir de 2007

É difícil de acreditar ainda, mas essa foi a notícia do dia. Trata-se de um passo enorme na direção certa. O projeto foi aprovado por 45 votos contra 1. O vereador que votou contra foi Dalton Silvano (PSDB). Paradoxalmente, ele foi o autor do projeto que institui o Dia Municipal sem Carro.

Comments 2 Comments | Categories: Cidade, Política | Autor: inaciog




August 28, 2006

Propaganda política degradante

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As regras para a propaganda política estão mais rigorosas. Isso é reflexo de todos os problemas que o sistema tinha, que ficaram evidenciados nos esquemas de corrupção do mensalão, bingos e etc. Showmícios foram proibidos, espalhar cartazes também foi proibido.

A intenção é, ao teoricamente reduzir os custos de campanha, diminuir a necessidade de fontes “não-oficiais” de financiamento, evitando os problemas já conhecidos. Por outro lado, cartazes com apenas uma foto, o nome e o número do candidato não ajudam em nada o eleitor a fazer uma escolha consciente.

Mas, como é de se esperar, os candidatos estão dando “um jeitinho” de proliferar suas fotos e números pela cidade. Contratam postes vivos, cuja função é descaracterizar o cartaz como sendo um cartaz. Contratam pessoas cujo trabalho é servir de apoio para um cartaz com uma foto sorridente. Talvez não por mera coincidência, a altura do cartaz é sempre suficiente para cobrir o rosto de quem o está segurando.

Embora esses cartazes não tenham escrito neles nenhuma frase sobre as propostas de sua candidatura, servem de forma fabulosamente clara para obter informações profundas sobre a pessoa que ele é. Se utiliza de pessoas de mente, carne e osso, como um objeto inanimado. A pessoa não tem rosto nem fala. É simplesmente usada como suporte para um papel.

Quais serão os conceitos que esses candidatos têm sobre os seus eleitores? Como ele irá pensar em suas necessidades se for eleito? A dica está aí.

Coloquei no Wikicracia.org uma página onde exemplos de propaganda humilhante podem ser colocados, sem restrições. Quem testemunhar mais exemplos dessa prática pode ajudar colocando lá.

Comments 2 Comments | Categories: Política | Autor: inaciog




August 22, 2006

Wikicracia.org

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Criei o wikicracia.org. A falta de informações livres sobre os candidatos e políticos do Brasil foi o motivo pelo qual criei esse wiki. O objetivo é criar um local público, livre de censura e criado por todos com informações sobre os candidatos e políticos em atuação no Brasil, permitindo um acompanhamento do mandato e subsídio à escolha do candidato a ser votado.

É um grande trabalho, e embora eu vá tentar alimentá-lo o máximo possível, ele depende fundamentalmente da contribuição de quem entrar.

Não é difícil editar, de verdade 2 minutos e você entende como funciona. E eu vou tentar, dentro do possível, ajudar quem quiser editar e adicionar informações.

Estou colocando a lista de candidatos (pedi ajuda pro pessoal do TSE pra fornecer uma lista completa), mas só isso já dá um bom trabalho.

Iniciei também uma lista de candidatos que abandonaram seus cargos municipais para tentar outros “maiores”.

Comments 1 Comment | Categories: Política | Autor: inaciog




August 10, 2006

De graça é melhor

Matéria publicada no Correio Braziliense de 2 de Agosto de 2006:

“É bom,muito bom para ser verdade”, pensou o engenheiro carioca Inácio Gerberoff, 26 anos, quando se deparou com o endereço www.hospitalityclub.org.Mesmo em tempos de real valorizado, ir para o exterior é caro para os turistas brasileiros.

E num mundo capitalista a idéia de viajar e não ter que pagar pela hospedagem — que corresponde em média a um terço do orçamento — é muito convidativa, ou, mais precisamente, quase surreal. Mas para quem já descobriu a mina, não ter que pagar por hotéis e albergues torna o sonho de dar a volta ao mundo com a mochila nas costas e sem prata no bolso real. Mais do que gratuito, o jeito de viajar sendo recebido por nativos, em suas casas, é uma filosofia de vida que tem se espalhado ao redor do globo com a ajuda da internet. Ver o lugar que se visita com os olhos de seus próprios habitantes é, para os adeptos da modalidade, muito mais importante do que não pagar hotel. “A experiência muda completamente. Você tem uma imersão na cultural local, e isso não tem preço”, explica Karina Galindo, estudante que falou com o Correio da Tunísia, onde deve passar duas semanas.

A estudante já conheceu 15 países, no norte da África e na Europa, hospedando-se na casa de usuários do Hospitality Club. Mas além dessa comunidade, há outras com a mesma filosofia: hospedar e ser hospedado ao redor do mundo. “Dar e receber é o que faz o sistema funcionar”, explica no site Adam Staines, australiano de 24 anos que fundou o www.globalfreeloaders.com. Mesmo que a maior parte dessas comunidades não tenha regras explícitas ou não imponha aos usuários nenhuma obrigação, o acordo tácito entre os usuários é o de retribuir o que os anfitriões fizeram por você, hospedando os demais integrantes do site. Com Inácio, a experiência de hospedar um casal de franceses veio antes de ficar na casa de alguém. “Foi muito interessante. Morava numa república e tive que convencer meus amigos a recebê-los. A experiência foi ótima, meus amigos adoraram e depois hospedei mais um casal da Alemanha, sem oposição nenhuma dos colegas”, explica.
A retribuição veio meses depois, quando viajou para um congresso na Europa e conseguiu um anfitrião em Amsterdã, na Holanda, onde passou cinco dias. “Fiquei impressionado. Dormi num quarto confortável, ele me emprestou a chave de sua casa e até sua bicicleta”, conta. Inácio ainda se corresponde por e-mail com ele e com os casais de alemães e franceses que ficaram na sua casa no Brasil. “Em retribuição pela excelente recepção, deixei meu quarto impecável e comprei
um presente para ele”, completa.

Perfil compatível
Nem tudo são flores no negócio de ficar hospedado de graça no exterior. No fórum do site www.freeloaders.com.br estava lá, em letras garrafais, um testemunho de um anfitrião que ficou chateado com a cara-de-pau de um hóspede. “Ele me pediu para que eu o pegasse no aeroporto, e disse que preferia usar minha toalha e não a dele. Chegou sem saco de dormir e me tratou com uma enorme falta de consideração e realmente agiu como se a minha casa fosse um hotel gratuito. Nunca o hospedaria de novo”, reclamou o usuário.

Para evitar decepções, o ideal é checar o currículo do candidato a hóspede antes de dizer sim. “É importante dar uma olhada no perfil dele e nos testemunhos que escrevem sobre ele no site”, aconselha Inácio. É possível que por meio de uma simples análise do perfil, seja possível identificar os espertinhos que estão interessados apenas em se aproveitar da solidariedade alheia.

Ele já chegou a recusar dois hóspedes por achar que o perfil não combinava com o dele. “Um dos candidatos disse que adorava futebol e queria experimentar isso no Brasil. Como eu sou péssimo no esporte, achei que não valia a pena”, explica o engenheiro, que tem cadastro em pelo menos cinco comunidades virtuais do gênero.

A preocupação com a segurança não foi um grande problema para Inácio ou Karina. “Não temos como saber nem se um amigo íntimo está falando a verdade, que dirá uma pessoa que nunca vimos. Mas prefiro dar um voto de confiança. O clichê todo mundo é inocente até que se prove o contrário é bastante válido nessas horas”, teoriza Karina. Apesar de baseados muito mais na confiança, os sites adotam alguns procedimentos de segurança. O Hospitality Club, por exemplo, exige número do passaporte no cadastro e os anfitriões são orientados a conferir o
documento dos hóspedes no momento da chegada.

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August 4, 2006

Reforma política?

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Ultimamente se tem falado bastante sobre reforma política. As idéias são basicamente fidelidade partidária e financiamento público de campanha.

Mas tem um ponto do qual nunca ouvi ninguém comentar a possibilidade: que tal proibir alguém que foi eleito para um cargo de candidatar-se a outro? Afinal, os cargos municipais viraram um “seguro-desemprego” para políticos. Dois exemplos emblemáticos: José Serra e José Aníbal.

O primeiro perdeu a eleição para presidente e resolveu candidatar-se a prefeito. Agora tem mais uma eleição “mais importante” e lá foi ele, com um ano e meio de mandato, largar a prefeitura para concorrer ao governo do estado. Isso porque, obviamente, disse para não votarem nele se ele fizesse isso. Justificou dizendo que foi “chamado por um objetivo maior”.

E o José Aníbal, aquele candidato ao senado, também pelo PSDB, que também perdeu a eleição passada? Foi eleito vereador junto com o Serra. E agora? Do site dele:

Depois de ouvir a muitos pedidos e apelos, o vereador José Aníbal anunciou, nesta terça-feira, que vai disputar mais uma vez um mandato de deputado federal.

Certo. Então é isso. Virou palhaçada total, escancarada. Prefeituras de grandes cidades viraram um “bico temporário” para candidatos que tentam vôos mais altos que suas asinhas permitem.

Como resultado, as brigas pelo poder federal ficam cada vez mais sujas e as cidades cada vez mais abandonadas.

Comments Comments | Categories: Política | Autor: inaciog